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Qual é a origem da língua portuguesa?

MARCONEVES
Marco Neves

Marco Neves, segundo as suas próprias palavras, “tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias. Para lá das profissões, os amigos sempre lhe reconheceram a pancada das línguas.

Nasceu em Peniche e vive em Lisboa. É director do escritório de Lisboa da empresa de tradução Eurologos e professor de várias disciplinas de Prática da Tradução na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Escreve no blogue Certas Palavras sobre línguas, livros e outras viagens.

É autor dos livros Doze Segredos da Língua Portuguesa (Guerra e Paz, 2016) e A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa (Guerra e Paz, 2017).”

No artigo “Qual é a origem da língua portuguesa?”, em resposta à pergunta de um leitor e seguidor do seu blogue Certas Palavras, Marco Neves explica-nos os percursos de origem e evolução da nossa língua.

(…)

O português vem do galego?

Enfim: todos nós que dizemos falar português e todos os que dizem falar galego falamos qualquer coisa que teve origem nos falares da Galécia, ali no noroeste da Península. Durante séculos, o latim trazido pelos soldados e colonos romanos e adquirido por toda a população foi sofrendo transformações — não as podemos ver em tempo real, porque ninguém as registava ou escrevia, mas, muitos séculos depois, quando finalmente a língua começou a ser escrita, havia nesse território uma língua já formada, com verbos próprios, com formas próprias, com características que a identificam e a distinguem das outras línguas em redor.

O que chamavam as pessoas a essa língua que já era, em muitos aspectos, a nossa? Não lhe chamavam nem galego nem português: chamavam-lhe linguagem, com toda a probabilidade. Era a língua do povo. Nós, agora, olhando para trás, podemos chamar-lhe «português», o que não deixa de ser anacrónico, ou «galego», o que não deixa de assustar algumas almas mais sensíveis, ou «galego-português», para agradar a gregos e a troianos (como se esses fossem para aqui chamados). Na escrita, durante todos esses séculos do primeiro milénio, o latim continuou rei e senhor.

Quando Portugal se tornou independente, começámos a usar a língua que existia no território, que era ainda apenas o Norte. Não a escolhemos de imediato, pois nos primeiros tempos o latim ainda foi a língua oficial. Mas, devagar, a língua que era de facto falada começou a infiltrar-se nos textos escritos, às vezes de forma imperceptível, outras vezes de forma mais clara.

O país expandiu-se para sul e, com ele, veio a língua, claro. O português nasceu nesse canto noroeste e expandiu-se até ao Algarve (e, mais tarde, até além-mar). Por alturas de D. Dinis era já a língua oficial.

Depois, no final do século XIV, temos revoluções, a batalha de Aljubarrota… — a nobreza nortenha perde influência, a burguesia lisboeta alça-se à posição de classe dominante (e tudo o mais que faz parte da História). Lisboa é agora a capital e a nação esquece-se que a língua veio do norte, não foi criada em todo o território nacional. O que se falava em Lisboa seria esse galego-português que viera para sul com a Reconquista. Houve, claro, algumas intrusões do moçárabe, a linguagem latina do sul (com muitos arabismos). Mas, nas suas estruturas e características principais, a língua que Portugal assumiu como sua é a língua criada na Galécia: não houve um ponto em que o galego e o português se tivessem separado claramente.

Influências castelhanas no português literário

Não houve um ponto em que o galego e o português se separassem claramente. Mas há, isso sim, algum afastamento da língua padrão em relação ao que se fala mais a norte. Muito desse afastamento fez-se também por causa das influências externas. (…)

Para continuar a ler este artigo e outros: http://www.certaspalavras.net/qual-e-origem-da-nossa-lingua/

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V5/01 – Revista de Ciência Elementar da Casa das Ciências

A Casa das Ciências, do Porto, acaba de lançar um novo número da revista V5/01 Revista de Ciência Elementar, de periodicidade trimestral. Este número de março de 2017 apresenta artigos científicos, notícias educativas e sugestões de visitas a locais de interesse científico e pedagógico.

Com o objetivo de divulgar o potencial pedagógico da sua revista, a Casa das Ciências ofereceu dois exemplares a cada biblioteca escolar das escolas de 2.º/3.º Ciclos e de Ensino Secundário de Coimbra. Na biblioteca escolar da escola sede do nosso agrupamento temos um exemplar desta revista para consulta presencial, e outro exemplar foi deixado na Sala dos Professores.

Esta revista pode ser lida em formato papel, PDF ou EPUB, no website da Casa das Ciências.

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A Casa das Ciências é um portal de base colaborativa que recolhe, valida e divulga materiais digitais para servir os professores de ciências dos vários níveis de ensino.

Para visitares o website da Casa das Ciências, clica aqui:

http://www.casadasciencias.org/cc/

Para leres a revista em formato digital, clica aqui: rce_v5n1

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Miúdos a votos: Quais os livros mais fixes? – Resultados eleitorais

Na quarta-feira, dia 26 de abril, foram publicados os resultados eleitorais do concurso “Miúdos a votos: Quais os livros mais fixes?” na revista Visão Júnior (versão digital).

No concurso participaram 308 escolas – 148 no 1.º Ciclo, 145 no 2.º Ciclo e 147 no 3.º Ciclo, sendo apurado um total de 53 666 votos – 17 087 votos no 1.º Ciclo, 18 326 votos no 2.º Ciclo e 18 253 votos no 3.º Ciclo.

No 1.º Ciclo, os três livros mais votados foram O Principezinho de Antoine Saint-Exupéry, Porque é que os Animais não Conduzem? de Pedro Seromenho, e O Tubarão na Banheira de David Machado.

No 2.º Ciclo, os três livros mais votados foram Avozinha Gangster de David Walliams, Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowlings, e O Principezinho de Antoine Saint-Exupéry.

No 3.º Ciclo, os três livros mais votados foram A culpa é das estrelas de John Green, O Diário de Anne Frank e O rapaz do pijama às riscas de John Boyne, separado apenas por um voto, da Avozinha Gangster de David Walliams.

Para saberes mais, podes consultar o artigo da revista Visão Júnior (versão digital) aqui.

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Conto “Reconstruindo o mundo”de Paulo Coelho

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Reconstruindo o mundo

O pai estava tentando ler o jornal, mas o filho pequeno não parava de perturbá-lo. Já cansado com aquilo, arrancou uma folha – que mostrava o mapa do mundo – cortou-a em vários pedaços, e entregou-a ao filho.

“Pronto, aí tem algo para você fazer. Eu acabo de lhe dar um mapa do mundo, e quero ver se você consegue montá-lo exatamente como é”.

Voltou a ler seu jornal, sabendo que aquilo ia manter o menino ocupado pelo resto do dia.

Quinze minutos depois, porém, o garoto voltou com o mapa.

“Sua mãe andou lhe ensinando geografia?”, perguntou o pai, aturdido.

“Nem sei o que é isso”, respondeu o menino. “Acontece que, do outro lado da folha, estava o retrato de um homem. E, uma vez que eu consegui reconstruir o homem, eu também reconstruí o mundo”.

Paulo Coelho

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Poemas infantis de Cecília Meireles

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Cecília Meireles (1901-1964)

 

Cecília Meireles foi jornalista, professora, pintora e é considerada uma das vozes mais importantes das literaturas de língua portuguesa.

Nascida em 1901, no Rio de Janeiro, Cecília escreveu poemas até hoje lembrados e contribuiu com publicações diárias sobre problemas na educação.

Em 1934, Cecília Meireles fundou a primeira biblioteca infantil do Brasil. Também adquiriu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como Leilão de Jardim, O Cavalinho Branco, Colar de Carolina, O Mosquito Escreve, Sonhos da Menina, O Menino Azul e A Pombinha da Mata, entre outros.

Em 1923, a escritora publicou Nunca Mais e Poema dos Poemas e, em 1925, Baladas Para El-Rei. Após longo período, em 1939, Cecília Meireles publicou Viagem, livro com o qual ganhou o Prémio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Católica, a autora escreveu textos como Pequeno Oratório de Santa Clara, de 1955, e O Romance de Santa Cecília.

No ano de 1951, Cecília Meireles viajou para a Europa, Índia e Goa e visitou, pela primeira e única vez, os Açores. Ali, na ilha de São Miguel, contactou o poeta Armando César Cortes-Rodrigues, amigo e correspondente desde a década de 1940. A autora faleceu em 1964, aos 63 anos de idade.

In Livraria Cultura

Deixamos a sugestão de leitura de alguns dos seus poemas infantis, extraídos da obra Ou Isto ou Aquilo, com desenhos de vários ilustradores:

Ou Isto ou Aquilo

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Algumas edições desta obra:

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O SEGREDO DO RIO de MIGUEL SOUSA TAVARES

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Escrito para responder à inquietação do seu filho Martim, que gostaria de saber por que motivo as estrelas não caem do céu, Miguel Sousa Tavares publica O Segredo do Rio, uma história de amizade entre um menino, que vivia no campo, perto de um ribeiro, o seu sítio preferido, e de uma carpa que procura um lugar para ser feliz.

Esta é uma história sobre a amizade e a gratidão que unem a criança e o peixe, o segredo do rio, afinal.

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Ilustrada por Fernanda Fragateiro e editada pela Oficina do Livro, esta obra tem também um pendor ecológico.

As pessoas que moravam naquele lugar e na aldeia próxima bebiam daquela água, cozinhavam com ela e pescavam no rio. Todos tinham muito cuidado para não sujar o rio, não deitando lixo ou outras coisas lá para dentro. As pessoas sabiam que a água era uma das coisas mais preciosas da vida e que um rio que corre limpo é um milagre da natureza que não pode ser estragado.”

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Assim, para além da leitura e exploração do livro os alunos da EB1 de Santa Cruz falaram sobre a poluição dos rios, mares e oceanos e, no final, escreveram a sua própria tabuleta no quadro interativo.

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“AS LETRAS ESCRITAS NA LUA”

 

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Por vezes, as crianças, exprimindo-se com simplicidade, mostram toda a beleza com as suas palavras e com o seu poder criativo.

Isto aconteceu, surpreendentemente, quando uma aluna do 1.º ano da EB1 de Coselhas, ao tentar criar uma história a partir das ilustrações desta obra de Luísa Ducla Soares antes da sua leitura, imaginou que o desejo da personagem principal, a Rita, era poder ler as letras escritas na lua com o seu telescópio. Aquelas que já tinha aprendido na escola com a sua professora.

Talvez assim, sem contexto, a beleza se perca e o inesperado da sua história também.

Quem sabe se a Rita (e o seu problema de visão) voaram para além do texto na imaginação e sensibilidade da nossa aluna, e o mundo, como quando colocamos óculos porque deles necessitamos, se tornou “mais rico, mais nítido e mais colorido”.

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